segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ascensão dos shoppings populares

Projeto da Prefeitura tira camelôs das ruas da região central

Por Aline Campolina, Amanda Rafaela, Jack Sabino e Marcos de Castro

Desde agosto de 2003 os camelôs foram retirados das ruas de Belo Horizonte e transferidos para os denominados “shoppings populares”, nos grandes centros públicos da capital. Resultado de uma parceria entre o poder público e a iniciativa privada, o shopping Oiapoque foi o primeiro a receber os trabalhadores informais, cadastrados de 1998 a novembro de 2002. Outros mais de 2.000 camelôs e toreros da região centro-sul da capital foram gradativamente remanejados para espaços específicos, como o Tupinambás, Xavantes, Caetés, Tocantins e Barro Preto. Todos – com exceção do Caetés que parte é administrado pela Prefeitura –, são de responsabilidade da iniciativa privada.

Atualmente, além do shopping Oiapoque (popularmente chamado de “Oi”), outros três se encontram em funcionamento, o Caetés, Tupinambás e Xavantes. Na região de Venda Nova, outros shoppings populares também foram criados com a mesma iniciativa da Prefeitura, como o Shopping Norte, O Ponto e o Shopping Céu Azul (os dois últimos são pontos de também ex-camelôs que vendiam seus produtos nas ruas da região). Segundo a PBH, outros cinco centros de compras estão sendo construídos, no bairro Candelária, no Céu Azul, no Mantiqueira e outros dois na rua Padre Pedro Pinto, no centro comercial de Venda Nova.

Um mês após o acordo com os camelôs que integraram o shopping Oiapoque, implantou-se o Código de Posturas do Município, que proíbe o comércio dos vendedores ambulantes nas ruas. O Código, segundo a cartilha e Lei nº 8.616 de 14 de julho de 2003, “é um conjunto de normas que regulam as posturas, visando promover a harmonia e o equilíbrio do espaço urbano, por meio de disciplinamento dos comportamentos, das condutas e dos procedimentos dos cidadãos de Belo Horizonte, regulando as operações de construção, conservação e manutenção e o uso do logradouro público, as operações de construção, conservação e manutenção e o uso da propriedade pública ou particular, quando tais operações e uso afetarem o interesse público”. Integrante do projeto Centro Vivo da PBH, os shoppings populares surgiram de um objetivo de abrigar os trabalhadores informais para despoluir visualmente a cidade. O projeto e conjunto de obras sociais que foi criado em 2004 visa, segundo o site da Prefeitura, a recuperação de toda a área central da capital, e também “outras iniciativas que irão beneficiar a região”. Uma fiscalização diária é feita para evitar que os vendedores retornem para as ruas.

Os shoppings populares ou camelódromos de belo Horizonte contam com o apoio de, além da Prefeitura, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH). Estes locais são como os shoppings comuns que conhecemos, possuem além das lojas, banheiros e restaurantes; e são pontos de venda que a PBH deseja legalizar e transformá-los de setores informais em formais. Hoje, o volume de pessoas que passam pelos shoppings populares é grande, e eles beneficiam o comércio no entorno em que estão instalados. Muitos comerciantes perceberam o aumento no volume de pessoas, principalmente nos fins de semana e datas comemorativas.


A capital possui ainda, desde dezembro de 2008, outro shopping na região da rodoviária. O Uai Shopping, segundo seus investidores – o grupo europeu DOIMO –, recebeu um investimento de R$ 27 milhões, e é composto por 150 lojas com características de preços voltados para a classe C. Segundo Elias Tergilene, diretor de operações do shopping, em entrevista para o site, o Uai tem um diferencial dos demais camelódromos. "Estamos abrindo um novo nicho de mercado. Somos shopping popular por termos lojas que praticam preços mais acessíveis, e, ao mesmo tempo, mantemos todas as características de um shopping convencional com arquitetura moderna e agradável, mix planejado, legalidade, segurança, conforto e higiene", explica o diretor.

A situação destes trabalhadores antes da instalação nos shoppings populares era de total desconforto e insegurança. O local de trabalho era nas calçadas, lugar que disputavam com os pedestres. Os camelôs expunham seus produtos em barracas simples de metal e madeira, que eram montadas e desmontadas diariamente. Elas tinham também esta característica para facilitar a fuga da fiscalização, que sempre retinha as mercadorias muitas vezes em situação ilegal. Nas ruas, os vendedores ambulantes não tinham como se proteger da chuva, do sol excessivo, poeira ou sujeira. Muitos produtos eram perdidos ou estragavam o que prejudicava as vendas. Os shoppings populares abrigam estes vendedores, e facilita a fiscalização dos órgãos competentes, já que agora as bancas possuem alvará e legitimidade, devidamente cadastradas junto à instância municipal. A credibilidade dos produtos junto a sociedade também melhorou, já que com o espaço delimitado e regras impostas pela Prefeitura reduziu-se,em grande parte destes shoppings, o número de vendedores em situação irregular.



Shopping Oiapoque


O remanejamento dos vendedores ambulantes, que trabalhavam nas ruas da cidade para um estabelecimento único, deu origem ao Shopping Oiapoque, um centro comercial popular localizado na rua de mesmo nome (Oiapoque), na cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. Também conhecido como Shopping Oi ou somente Oi.
É um dos maiores shoppings populares da capital mineira, sendo considerado como o mais movimentado, com maior quantidade de pessoas em movimento dentro de um shopping. De acordo pesquisas realizadas, mais de 30 mil pessoas circulam o local nos dias de maior movimento.

Atualmente, ele é o mais famoso dos shoppings populares, e rapidamente se tornou referência ao se procurar qualquer tipo de produto, como roupas, calçados, acessórios, CD e DVD, cigarros e produtos eletro-eletrônicos, a um preço mais baixo se comparado aos shoppings não populares. Geordano Fonseca, 31 anos, mais conhecido como “peixe”, trabalha a três anos no Oiapoque com venda de celular. Para ele, o centro comercial é uma soma de qualidade e preço baixo. “Aqui o cliente sempre sai satisfeito. Ele acha tudo o que precisa com preço mínimo”, completa. De acordo com Fernanda Izabel, cliente assídua do Oiapoque, é impossível sair de mãos vazias do shopping, já que o preço é bastante atrativo.

Rapidamente o Oiapoque se consolidou como o novo local de compras das camadas populares. “O ”Oi” atrai ricos e pobres, todo mundo quer preço bom e variedades”, comenta Fonseca.

Recentemente o shopping passou por reformas para ampliar o número de lojas e espaço de circulação e para reduzir o custo de energia. As ações foram realizadas de acordo com um projeto luminotécnico e a economia está atingindo 53% da conta de energia elétrica.

O projeto trocou os equipamentos de iluminação dos corredores, lojas e áreas comuns do shopping. Ao todo foram substituídas 1600 lâmpadas, sendo que 500 estão localizadas nos corredores e nas demais nas lojas. Outro ponto relevante do projeto foi a ventilação. Os 125 ventiladores fixos “Furacões” de 200 Watts, utilizados nas lojas, foram substituídos por outros de 40 Watts com a mesma performance e melhor sensação de ventilação.

Hoje o shopping possui 900 lojas, entre elas lanchonetes. Há maior espaço de circulação, que permite maior comodidade e conforto para os visitantes e clientes


Comércio informal de Belo Horizonte se organiza e ganha projeção internacional

A informalidade no comércio, apesar do nome, é uma categoria analisada formalmente em estudos e pesquisas socioeconômicas das grandes cidades. Essa vertente do mercado traz no nome a palavra informal, que muitas vezes soa com tom depreciativo. Entretanto, em Belo Horizonte, essa realidade está em processo de transformação.

Dentro de um espaço único voltado para o comércio, os camelôs foram conquistando espaço na opinião dos consumidores. O gerente comercial de uma loja de celulares do Oiapoque, Luís Felipe Aquino, fala sobre os benefícios trazidos pela decisão de formalizar os negócios. “A partir do momento que emitimos a nota fiscal para o cliente passamos a tê-lo mais perto da gente. Isso faz com que os clientes voltem sempre, o balcão está sempre cheio. Temos um retorno muito bom” afirma. Entretanto, não são todos lojistas dos shoppings populares que se conscientizaram da importância de comercializar produtos legalizados. A Polícia Militar apreendeu no último dia 04/05, cinco caminhões com CDs e DVDs pirateados, diversos aparelhos eletrônicos de procedência duvidosa, estimulantes sexuais e medicamentos abortivos vendidos de forma irregular no shopping Xavantes, outro centro comercial popular, na Rua Curitiba.

Para minimizar problemas como este e oferecer aos proprietários a oportunidade de se tornarem empreendedores do comércio popular, o lojista Aroldo José dos Santos teve uma idéia. Em maio de 2005 ele uniu vários lojistas do shopping Oiapoque e de outros shoppings populares com o objetivo de comprar produtos legalizados com preço competitivo e vendê-los com nota fiscal. A partir dessa iniciativa surgiu a Cooperativa Comum de Compras dos Empreendedores de Shoppings Populares (COOESP). Grande parte dos consumidores não valoriza a nota fiscal e sim a garantia do produto comprado. A garantia dos shoppings populares para um produto que apresente defeito em até 30 dias é feita de imediato. É importante ressaltar que a nota fiscal é o documento que garante os direitos do consumidor e a credibilidade do comerciante. Aroldo, presidente da Cooperativa, conta que a região onde os shoppings estão localizados era desvalorizada pelos comerciantes. Com a criação dos centros de comércio popular “vários magazines foram para a nossa região e ficamos cercados por eles, que se beneficiam pela presença de nossa numerosa clientela”, lembra. O trabalho da cooperativa foi necessário para tentar frear este avanço gigantesco em cima de um comércio popular frágil. Vários fabricantes no mercado interno evitam fornecer produtos para shoppings populares, explica Aroldo. A alternativa encontrada pela COOESP foi procurar o mercado asiático e negociar para realizar compras em maior quantidade e obter melhores preços que posteriormente serão repassados aos empreendedores dos shoppings que fazem parte da cooperativa.

Os benefícios oferecidos pela COOESP ao lojista que opta por legalizar a situação do seu negócio são vários e importantes. “Oferecemos informações, palestras e cursos profissionalizantes realizados por universidades. Uma parceria com o Banco do Brasil trouxe recursos financeiros para formalizar os empreendedores e capital de giro para que estes se mantivessem no mercado” ressalta o presidente da cooperativa.
Através de projetos como este Belo Horizonte está ganhando destaque no que diz respeito ao desenvolvimento social da população. Nos dias 19 a 22 de abril a capital mineira recebeu a Assembléia Geral da rede internacional WIEGO - Women in Informal Employment –Globalizing and Organizing (Mulheres no Trabalho Informal – Globalizando e Organizando).

A organização trabalha em prol da melhoria da situação de trabalhadores informais, principalmente as mulheres. Representantes da WIEGO e participantes da conferência visitaram os corredores do Oiapoque para conhecer os produtos e serviços oferecidos. O objetivo é entender o funcionamento do centro comercial e levar esse modelo como referencia para outros países.

Um shopping no coração da cidade

Com 19 anos de existência, o Shopping Cidade é considerado um dos maiores shoppings da capital mineira. O fato de estar localizado no hipercentro de Belo Horizonte - que concentra 11,64% da população - faz com que ele receba, diariamente, uma média de 75 mil visitantes. A grande maioria é de estudantes, pessoas que moram ou trabalham ao redor do centro da cidade ou que utilizam o mall para se locomoverem de uma rua à outra através de suas portarias: Rua Rio de Janeiro, São Paulo e Tupis.
Segundo a Assessoria de Comunicação do Shopping Cidade, o perfil de consumidor predominante é o da classe B, que lidera com 50%, com distribuição equilibrada entre o público masculino e feminino. Para a dona de casa, Silvia Nunes, a facilidade de chegar ao shopping para fazer compras, é o que importa. “Gosto muito de ir ao Shopping Cidade porque, além de me sentir mais segura em relação às ruas do centro, é muito fácil e rápido chegar até ele”, comenta.
O centro de compras possui mais de 150 operações, entre lojas e quiosques - que englobam quase todos os segmentos do comércio, além da loja Supermercados Carrefour Bairro – salas de cinema, praças de alimentação, escadas rolantes, elevadores e estacionamento. “Lá eu encontro tudo que eu quero. É uma verdadeira cidade dentro de um shopping”, explica a dona de casa.

Em 2009 o mall iniciou um projeto de expansão com encerramento previsto para o primeiro trimestre de 2011. As obras fazem parte do projeto de revitalização do centro de Belo Horizonte e contam com um investimento de R$25 milhões. Ainda segundo a Assessoria, o foco maior é modernizar o empreendimento estética e estruturalmente; aumentar o impacto visual do centro de compras no local em que se encontra; e criar mais diferenciais competitivos para os atuais e futuros lojistas. “É um orgulho para o Shopping Cidade trilhar o caminho certo, alinhado com a revitalização do hipercentro da capital, que traz vantagens e benefícios para todos os envolvidos, incluindo clientes, parceiros e moradores da região central”, ressalta.

ESPAÇO TIM UFMG DO CONHECIMENTO- UMA NOVA VISÃO CULTURAL-

Por Layon Araújo e Bruna Isabela

Belo Horizonte se torna referencia nacional em conceitos de investimentos em infra-estrutura e obras sociais, que multiplicam a cidade, fornecendo um novo padrão físico e cultural para os mineiros.
A criação do Circuito Cultural Praça da Liberdade, uma parceria entre o governo e instituições privadasdesperta grande interesse na sociedade. O Espaço proporciona a população, não só de Belo Horizonte mas de todo o Estado, cultura e entretenimento de alta qualidade.
Reunindo num espaço bem localizado, Praça da Liberdade, o novo Centro Cultural caracteriza-se pela modernização arquitetonica dos antigos prédios públicos que circundam a praça, transformando-os num moderno conjunto cultural. O Circuito conta com adjuntos tecnológicos agregados a vertentes da pré-história aos dias atuais.
Composto por dez equipamentos culturais sem contar o próprio Palácio da Liberdade, dentre eles estão:
Espaço TIM UFMG do Conhecimento; Museu das Minas e do Metal; Memorial de Minas Gerais Vale; Centro de Arte Popular Cemig; Centro Cultural Banco do Brasil; e o café, que está sendo construído entre o Museu Mineiro e o Arquivo Público Mineiro.

O Espaço Tim UFMG do Conhecimento inaugurado pelo governador Aécio Neves, no dia 21 de março, teve sua arquitetura desenvolvida pela renomada arquiteta Jô Vasconcelos e pelo museógrafo Paulo Schimidt. O antigo prédio da reitoria da UEMG dá espaço a um dos maiores projetos do Circuito Cultural, o Espaço Tim.
Esse conta com um prédio de cinco andares, distribuidos entre planetário ,observatório astronômico, abriga ainda três andares de exposições e será palco de oficinas e palestras, voltadas principalmente para o público jovem.
O investimento aplicado no Circuito Cultural foi de aproximadamente R$90 milhões. Segundo o secretário-adjunto de Estado de Cultura e gerente executivo do Circuito Cultural Praça da Liberdade, Estevão Fiuda, essa verba potencializa as oportunidades de desenvolvimento cultural, de geração de emprego e renda para a cadeia produtiva da cultura, na capital mineira, e com reflexos positivos para todo o Estado.
Segundo a curadora do Espaço, Patrícia Kuak “A ideia é proporcionar ao visitante uma atitude de perplexidade. Queremos que ele, pela interatividade, assuma uma dimensão ativa no processo de apreensão do conhecimento”, .
A exposição inaugural é Demasiado Humano, título inspirado na obra do filósofo alemão Nietzsche,se divide entre os espaços:Origens, Vertentes e Águas. O primeiro mostra o surgimento do Homem, desde o Big Bang até o primeiro registro da presença humana no planeta e na América Latina.
A segunda parte explora a dimensão simbólica e social do homem, enquanto a terceira foca nas relações com o planeta e as questões ambientais da atualidade. A exposição terá duração média de dois a três anos.
Sabemos que ao visitar um museu, amostras ou eventos do gênero não devemos tocar em nada e até mesmo manter uma certa distância dos objetos, para assegurá-los. No Espaço Tim UFMG do Conhecimento a proposta é diferente.Aqui, as pessoas interagem em tempo real com o maquinário, fazendo parte da própria exposição.
Os aparelhos feitos com tecnologia 3D, disponibilizam aos visitantes seu manuseio e a forma como serão executados depende da criatividade de cada um. " Tem dinossauro que se movimenta e jogos como se fosse de play station. É bem divertido, conheci muitas coisas do tempo da pré-história até os dias de hoje. O que eu mais gostei foi o joguinho de reciclagem, que movimenta em 3 D" enfatiza o estudante de 12 anos do Colégio Batista, Arthur Deschamps.
Um dos objetivos da criação de um espaço aberto integrando vários equipamentos cultural é a promoção da educação e do conhecimento para a população. Para a auxiliar administrativa frequentadora da praça no horário de almoço, Rosângela de Oliveria costa, essa iniciativa favoreçe muito a educação. " Precisamos incentivar desde cedo as crianças a trabalharem com a cultura tanto na fala quanto na escrita educando as idéias. O Circuito Cultural vai contribuir muito para melhorar a educação, comenta.
O Espaço Tim UFMG do Conhecimento está aberto a visitações públicas, de terça a domingo, das 11 às 17h, com entrada franca até as 16:00. As apresentações no planetário acontecem às 11:30, 13h,14h,15h. E teram duração de 40min

Maletta de coração

No centro de Belo Horizonte, frequentadores, lojistas e moradores do condomínio tentam resgatar o charme perdido


Por Bruna Cris, David Batista e Pablo Estanislau





Um gigante adormecido. É essa a impressão que alguns têm do condomínio Arcangelo Maletta, que agrega três edifícios da década de 1950 no centro de Belo Horizonte, entre a rua da Bahia e a avenida Augusto de Lima. Dividido entre apartamentos, galerias de lojas e salas comerciais, o complexo já foi espaço da efervescência cultural belo-horizontina entre os anos 1960 e 1970. Passados 51 anos de sua inauguração, frequentadores, lojistas e moradores veem seu status se tornar uma lembrança pálida, ainda que os tons de saudosismo permaneçam.

A cidade em volta cresceu e se modernizou. Hoje, bares cinquentenários, restaurantes tradicionais e sebos de livros passaram a dividir espaço com anacrônicas copiadoras e lan houses. Os estudantes universitários Débora Ferreira e Rui Tófani tornaram-se habitués da galeria buscando aquele charme original. “Sempre gostamos do clima do Maletta, e já chegamos a frequentar os bares todos os dias”, conta Débora. No entanto, notam que o ambiente já não é mais o mesmo. “O espírito antigo era fascinante, mas hoje já não há o que instigava a muitos. Hoje, na minha sala, poucos vêm ao Maletta, e alguns nem sequer conhecem”, afirma Rui.

A história é o maior valor agregado ao condomínio, como podem atestar clientes e comerciantes. Os edifícios foram erguidos sobre o que foi a primeira grande hospedagem de Belo Horizonte: o Grande Hotel, construído na década de 1900 e adquirido por Arcangelo Maletta em 1923. Como atesta Abílio Barreto, na obra “Belo Horizonte: memória histórica e descritiva”, o prédio original foi derrubado 34 anos depois para dar origem ao empreendimento funcionalista. Na inauguração, uma novidade: a instalação da primeira escada rolante da capital mineira.

Com o passar dos anos, a escada deixou de funcionar, como conta o ator Amauri Reis, hoje síndico do condomínio. “Certamente tem o valor histórico envolvido, mas a instalação está toda quebrada por baixo. Seria necessário gastar cerca de R$ 200 mil no conserto”, estima. Com a escada parada, lojistas reclamaram da diminuição do movimento, mas sempre há quem vá ao local em busca de uma ligação com o passado.



Entre militantes de esquerda e neo-punks

O comerciante Greudo Catrambi inaugurou a livraria Eldorado em fevereiro de 1969, e percebe que alguns dos velhos clientes continuam frequentando. “Quando abri a loja, era mais fácil achar roupa íntima feminina no centro de BH do que livros”, conta Catrambi, que teve entre os fregueses vários subversivos da época da ditadura. Muitos deles contavam com a proteção do sr. Olímpio Peres, garçom da Cantina do Lucas, tombada pelo patrimônio histórico e que está na galeria do Maletta há 48 anos.

“Sr. Olímpio era comunista e dava apoio ao pessoal de esquerda que frequentava o restaurante”, conta Circeia Costa, gerente da Cantina. “Quando chegava algum agente do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), era ele quem sinalizava. Ele até criou o nome de alguns pratos para poder se comunicar, como a Salada Russa e o Filé à Cubana. Se ele dissesse que não havia, os clientes tinham que dar um jeito de sair rápido”, relembra. Para todos os efeitos, a Salada Russa é composta de maionese de batata, cenoura e beterraba, ervilha, presunto, passas e maçã, enquanto o Filé à Cubana é feito com a carne à milanesa, batata palha, banana, abacaxi, ovo, cebola francesa e bacon. Sr. Olímpio morreu já há seis anos, mas seu legado permanece no cardápio da Cantina.

Amauri Reis, antes de morar no condomínio, frequentou os bares da galeria durante muitos anos. “Era obrigação vir para o Maletta após a estreia de alguma peça, era o centro da vida cultural de Belo Horizonte. E aqui todo mundo é normal, todos comem torresmo com a mão no [bar] Xok Xok, até o [ator] Paulo José”. Na época, era possível trombar nos corredores tanto com astros da televisão quanto com prostitutas e travestis. “Quando conheci, diziam que o Maletta tinha uma fama muito ruim, de local de uso de drogas e meretrício, mas hoje já não há mais nada daquilo, que era até divertido. É muito mais careta”, avalia Reis.

Quase quarenta anos depois, a fauna cultural é radicalmente oposta: saem os militantes e entram os neo-punks adolescentes. “Volta e meia vêm alguns deles, procurando locais escuros na sobreloja para beber vinho escondido. Parecem morcegos”, segundo Herbert Batista, porteiro do condomínio há 19 anos. No meio deles, resistem alguns jornalistas, publicitários, advogados e artistas. Mas não que o Maletta não aceite a modernidade. “É o condomínio mais democrático de Belo Horizonte”, segundo Circeia Costa. Como é possível comprovar nos mais de 400 apartamentos dos blocos residenciais, ocupados por estudantes, famílias, trabalhadores assalariados e, como resume o síndico, “gente de todo tipo”. “Recentemente, até estiveram por aqui alguns jovens de Moçambique, que vieram fazer faculdade no Brasil”, conta o porteiro Herbert.



Silêncio e renascimento

A parte residencial do condomínio é constituída por dois edifícios: o Maletta, com 31 andares e 13 apartamentos por andar, com um ou dois quartos cada, e o Genoveva, com moradias de quatro quartos. Juntos aos 20 andares de salas e às lojas da galeria, o condomínio agrega 1.108 pequenos imóveis. Apesar das centenas de moradores, os corredores são surpreendentemente silenciosos, tanto de manhã quanto à noite. Barulho é questão ocasional, somente em alguma reclamação de som alto após as 22h. “É a mesma coisa de um prédio de dois andares. Mas é encantador viver em um prédio em que, quando você desce para a rua, está no meio da vida agitada e ruidosa”, diz Amauri Reis.

O silêncio acumula-se por anos, no entanto, nas paredes descascadas e na pintura envelhecida. O próprio síndico admite o desgaste físico do condomínio, causado em parte pelo próprio desinteresse dos moradores e proprietários de lojas. “As pessoas não lutam pelo patrimônio e só se candidatam ao cargo de síndico visando a salários maiores e às isenções, não ponderando que, se valorizar o prédio, também se valoriza o patrimônio”, conta Reis. No entanto, para ele, a acomodação também é um traço cultural de agora. “Quem se reúne hoje para lutar por alguma coisa que não seja o próprio bolso? Ninguém! É uma das coisas que fez com que o Maletta perdesse parte do seu charme. Durante a ditadura, os artistas tinham necessidade de um canto para se agrupar, para discutir política. Com a democracia, ninguém mais pensa em favor de todo mundo”, compara.

Revitalizar o condomínio, apesar dos reveses, está nos planos do síndico/ator. “Quero promover um resgate dessa essência cultural do Maletta, trazer de volta os artistas. É de nosso interesse que o lugar seja bacana. Precisamos rever toda a história deste local. É necessário ser Maletta de coração”, afirma Reis. Como melhor define o gestor cultural Luiz Carlos Garrocho, frequentador da galeria: “Uma cidade tem que ter lendas. E não são os lugares fashion que produzem fabulações. Estas nascem da vida do povo”.

Luxúria um pecado capital


A pornografia está cada vez mais presente no dia-a-dia principalmente dos homens, mas essa prática é mais antiga que a própria Grécia

A pornografia se remonta desde primórdios da Grécia. Em Atenas era comum a apresentação de sexo e nudez, isto há mais de 2.500 anos. Por lá as ruas eram enfeitadas com estatuetas de corpos “sarados” todos completamente desnudos, nas casas era comum vasos decorativos com imagens eróticas. E com tanta sacanagem no ar foi preciso criar uma definição para isso, daí surgem a palavra pornographos que significa “escrito sobre prostitutas”. Com o tempo foi preciso formular está definição, onde pornografia é tudo que descreve as relações sexuais sem amor. Hoje a definição é pouco mais abrangente em que pornografia é “o que trata de coisas ou assuntos obscenos ou licenciosos” (Dicionário Aurélio, p.546).
Ainda na Grécia, o pênis ereto era considerado símbolo da sorte. E para a diversão masculina era comum concursos de mulheres nuas, onde eram escolhidas as melhores “nádegas de Vênus”. E para quem tinha um pouco mais de cultura o interessante era ir ao teatro, na época, a peça mais famosa era Lisístrata, de Aristófanes, onde a personagem principal convoca as atenienses à greve de sexo enquanto durar a Guerra do Peloponeso. Desesperados, os guerreiros encerram o conflito. Ainda era possível se encontrar escritores especializados na vida sexual. Esses homens escreviam dicas sobre sexo, assim como conhecemos em revistas como a Playboy.
Em meados do século 2 d.C na Índia, surgiu o Kama-sutra, que foi escrito pelo nobre Mallanaga Vatsyayan com mais de 500 posições sexuais. Nesta literatura o estudioso pesquisou textos milenares sobre o sexo e fez defesa da liberdade sexual. Para ele o sexo faz parte da criação divina e deve ser contemplado e praticado por todos.
Mas essa pornografia toda estava por chegar ao fim, foi no século 6 que a luxuria foi listada como pecado capital, a partir daí a pornografia explicita como era conhecida começa a ser vetada pela Igreja. Para se satisfazer os homens procuravam os “contadores de História”, que eram andarilhos que contavam sobre mulheres picantes. Depois de um tempo a pornografia ficou cada vez mais proibida e quem praticasse ou falasse sobre esses assuntos iria até para a fogueira ou exílio. Agora fica fácil descobrir de onde surgiu os filmes pornôs e de onde vem toda essa vergonha que nossa sociedade ainda enfrenta sobre o sexo.
Claro que hoje as coisas estão muito mais abertas que após a intervenção da Igreja sobre o tema, mas não tão escancaradas como na Grécia. Felizmente ou infelizmente a internet é hoje uma ferramenta poderosa para aqueles que têm espírito Ateniense. Filmes pornôs online são de fácil acesso até para menores de idade. Segundo Matheus Molina, 21 anos, começou a ver filmes pornôs na internet desde seus 15 anos. “Eu lembro que nem sabia direito pra que servia um filme pornô mais meus amigos e a minha curiosidade para saber como funcionava o sexo eram mais fortes, como a única forma de descobrir era vendo os filmes e eu não podia ir a uma locadora resolvi baixa-los na internet, ela é hoje a principal ferramenta do sexo para o homem gosta dessas coisas”, afirma Matheus.
Uma pesquisa iniciada pela Universidade de Montreal, que pretendia analisar as diferenças entre homens que já haviam visto filmes pornôs e homens que nunca haviam visto comprovou que 100% dos homens já viram algum tipo de pornografia e que 90% dela é encontrada na internet.
A pornografia digital por sua vez iniciou na segunda metade do século 19 por meio de fotos e livros, que passaram a ser vendidos a cada dia mais. Os livros que retratavam de sexo eram conhecidos como “romances para homens” eles normalmente falavam de adultério, incesto, prostíbulos e até sobre padres que largavam a batina. Já no final do século a pornografia é apresentada de outra forma, em formato de filmes. Os irmãos Lumière perceberam que a novidade daria muito dinheiro. Nos filmes os diretores não brincavam em serviço, o repertório era composto por sexo oral, lesbianismo e ménage à trois, sempre em cenas reais e continham entre 7 a 15 minutos cada fita.
Mais uma vez os filmes são proibidos e era preciso fazer tudo as escuras. E como tudo que é escondido é mais gostoso. Criou-se as fitas em VHS e o filme pornô começou a se multiplicar entre, principalment
e, homens. Estima-se que DVDs, fitas VHS e canais de TV a cabo pornô movimente, anualmente, cerca de 14 bilhões de dólares no mundo. Isso sem contar a quantidade que não arrecadaria se os filmes pornôs online fossem cobrados.
Para o homem o pornô age como um material para se excitar, é o que afirma a sexóloga Dra. Stany de Paula, por isso eles gostam tanto de ver coisas relacionadas ao sexo. “Alguns utilizam o filme para relaxar, estimular o desejo, a maioria dos homens tem fantasias a nível visual então os filmes são a mídia mais imediata que pode ser buscada por eles, independente se casados ou solteiros, pois os casados também podem usar o filme como uma forma de sair da rotina da relação,” avalia.
A fantasia masculina não tem relação alguma com o amor, ao contrario da mulher que normalmente precisa se sentir atraída pelo esteriótipo, o homem se apega ao ato em si. “Claro que o visual estimula, mas o fetiche é uma coisa que não tem rosto,” finaliza Dra. Stany.








credito: Pâmela Lorentz

Matheus Molina iniciou sua saga de filmes eróticos quando ainda tinha 15 anos de idade.












Sexo frágil. Mas ousado.

Mulheres são maioria no consumo de artigos e produtos eróticos

De acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e sensual, 70% dos compradores das lojas de sex shop são do sexo feminino. Em Belo Horizonte, o setor, cada vez mais sofisticado, atrai mulheres que buscam os mais diversos produtos para apimentar a relação.
São lingeries sensuais, géis térmicos dos sabores mais diversos, óleos corporais, fantasias e diversos artigos de auto-erotismo. Se nem todos são voltados exclusivamente para o prazer feminino, quem vai as compras garante que o objetivo nem sempre é só agradar quem se ama.
“Fui pela primeira vez a um sex shop por curiosidade. Comprei apenas produtos que eu poderia usar sozinha, porque tinha vergonha do que meu namorado poderia pensar de mim”, confessa a estudante Laura Gomes, de 19 anos. Ela conta que, hoje em dia, os dois se divertem com os artigos, mas só ela continua a escolher quais vão ser as novidades do casal.
“Sou eu quem vai à loja, sempre. Ele adora, mas, se eu for depender dele para fazer as compras, as únicas aquisições vão ser fantasias de enfermeira ou um gel lubrificante que eu poderia comprar na farmácia. Nós mulheres somos melhor na hora de imaginar e seduzir”, garante.
Para o cientista da computação Anderson Matos, há outra explicação para a maior prevalência de mulheres no setor que movimenta, no Brasil, mais de R$700 milhões, a cada ano. “Homens costumam ter medo de entrar nessas lojas. É um tabu mesmo. Alguns acham que ir ao sex shop é uma forma de dizer ao mundo que são incompetentes sexualmente”, pondera.
Para ele as mulheres são diferentes, porque buscam formas de se obter prazer. “Os homens se satisfazem com muito menos. O sexo, para os homens não precisa necessariamente, deste tipo de comércio, relacionado ao sexo. Por isso, alguns ficam na monotonia se a parceira não ousar”, opina.





Credito: Estefania Mesquita

AIDS tem maior incidência feminina e gay entre os jovens

As estatísticas mais recentes sobre a AIDS no Brasil mostram que a epidemia, na década de 2000, manifesta-se de forma diferente entre os jovens. De maneira geral, a maior parte dos casos está entre os homens, sendo que a principal forma de transmissão é a heterossexual. Considerando a faixa etária de 13 a 19 anos, a maior parte dos registros da doença está entre as mulheres. Entre os jovens de 20 a 24 anos, os casos se dividem de forma equilibrada entre os dois gêneros. Para os homens dos 13 aos 24 anos, a principal forma de transmissão é a relação homossexual.
Inúmeros fatores podem ser levados em conta na questão dos jovens adquirirem a infecção do vírus HIV. No caso das meninas, as relações desiguais de gênero e o não reconhecimento de seus direitos, são algumas dessas razões. As mulheres ainda se sentem inferiores durante uma relação sexual, como por exemplo, a vergonha de pedir ao parceiro que utilize a camisinha. Desta maneira, ficam vulneráveis a contrair várias doenças sexualmente transmissíveis e até mesmo uma gravidez indesejada.
Em relação aos jovens homossexuais, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil. De acordo com Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, “eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV”.
Devido a essa realidade, o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres iniciaram a Campanha de Prevenção e Enfrentamento a AIDS no Carnaval 2010 com mensagens direcionadas para esse público. A campanha foi lançada no dia 06 de fevereiro sábado de carnaval, na Vila Olímpica da Mangueira, Rio de Janeiro, pelo Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, com o intuito de incentivar o uso do preservativo entre os jovens.
Utilizando o slogan "Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre." e como garoto-propaganda um preservativo com a voz da atriz Luana Piovanni, a idéia foi estimular o sexo seguro e diminuir as taxas de infecção, principalmente, entre as meninas e homens gays dessa faixa etária durante a folia. Segundo o Ministério da Saúde, no carnaval deste ano, foram distribuídos gratuitamente 55 milhões de preservativos em todo o país.
Há dez anos os jovens vêm sendo tema de campanhas desenvolvidas pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Além do Carnaval, ocorrem também ações dirigidas para esse público em outras festas populares como as paradas gays, carnavais fora de época e outras festas que possuam um número elevado na participação contendo essa faixa etária.
De acordo com estatísticas realizadas pelo Ministério da Saúde, o aumento de casos de Aids entre as mulheres se deu em todas as faixas etárias, mas principalmente entre as jovens de 13 a 19 anos. Considerando essa faixa etária, observamos que entre o ano 2000 e junho de 2009, foram registrados no Brasil 3.713 casos de Aids em meninas dessa idade (60% do total), contra 2.448 meninos. Nos jovens de 20 a 24 anos, há 13.083 (50%) casos entre elas e 13.252 entre eles. No grupo acima de 25 anos, os números se invertem claramente 174.070 (60%) do total (280.557) de casos são entre os homens.

Em 2007, levando em conta a mesma faixa etária de 13 a 19 anos, há mais casos de transmissão de Aids entre os meninos, através de relação homossexual sendo 39,2% do que a relação heterossexual 22,2%.
No ano passado o Ministério da Saúde realizou a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, com mulheres entre 15 e 24 anos. 64,8% das entrevistadas eram sexualmente ativas, dessas apenas 33,6% usaram preservativos em todas as relações casuais. Nos homens, 69,7% dos entrevistados eram sexualmente ativos, onde 57,4% afirmaram ter usado camisinha em todas as relações com parceiros ou parceiras casuais.
Para ajudar nas ações de prevenção à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis, os ministérios da saúde e educação se uniram e criaram em 2003 o programa Saúde e Prevenção nas Escolas - SPE. O seu objetivo é desenvolver estratégias para reduzir as vulnerabilidades nos adolescentes e jovens. Atualmente participam do programa 50.214 escolas de todo o país.


Texto: Pâmela Lorentz
Estefania Mesquita
Roberta Prates

domingo, 9 de maio de 2010

"Comida di Buteco"



CULTURA: A DESCULPA PERFEITA PARA BEBER

“Comida di Buteco” atrai milhares de pessoas e é considerado um dos eventos culturais mais importantes de BH


Por Lorena Lage e Thiago Barros


Em cada coração bate um buteco. Mas em cada buteco batem vários corações. Esse é o slogan de um dos eventos mais esperados pelos mineiros. O “Comida di Buteco” chega à sua 11º edição com 41 bares participantes e todos com o mesmo ingrediente essencial: o jiló. Idealizado em 1999, pelo ex-produtor e apresentador da extinta Rádio Geraes FM, Eduardo Maya, o evento saiu do papel um ano depois de sua criação, com apenas 10 botecos participantes.

A cada ano o concurso vem ganhando credibilidade e conquistando não somente os mineiros, como também todo país. O festival acontece a nível nacional em 11 cidades de cinco Estados: Minas Gerais, São Paulo, Goiânia, Rio de Janeiro e Salvador. E o sucesso é geral! Só em Belo Horizonte, segundo a instituição responsável pela apuração dos votos, Vox Populi, estima-se um público participante de 800 mil pessoas por edição, com mais 164 mil votos nos pratos concorrentes.

Uma das tradições do evento é a festa “A Saideira”, que marca o encerramento e a premiação do concurso, e se tornou um dos acontecimentos mais esperados da cidade, recebendo aproximadamente 22 mil botequeiros nos dias em que é realizada. Esse ano ela irá acontecer nos dias 15 e 16 de maio, com atrações de Mart´nália, Zeca Baleiro e Roberta Sá, em apresentação no Centro Esportivo Universitário (CEU), na Pampulha. O “Comida di Buteco” acontece anualmente entre os meses de abril e maio.

Esse concurso gastronômico está mexendo cada vez mais com a capital mineira. Com essa “disputa” sadia entre os competidores todos saem ganhando. Os clientes têm a oportunidade de experimentar pratos variados, muitas vezes exóticos e sofisticados, além da cerveja bem gelada. Os bares estão sempre cheios, aumentando a clientela e os lucros. Para o técnico em informática, Roberto Lima, 31 anos, esse evento engrandece o turismo em Belo Horizonte e cria oportunidades do público conhecer vários ambientes diferentes: “Participo de todas as edições e já tenho meus bares preferidos. Faço questão de levar os amigos e comemorar essa festa que já é tradição aqui em Minas”, destacou.

Como a disputa por um lugar nos botecos é enorme, criou-se uma maratona para participar do evento. Os grupos se organizam, alugam ônibus e reservam lugares em todos bares participantes. Desta forma, as pessoas conseguem visitar em um só dia todos os botecos e ficam aproximadamente uma hora em cada um. Um desses grupos, chamado “Rota Derrete”, fez seu tour no sábado do dia 1º de maio. “Pra mim foi mais interessante. Geralmente não consigo entrar nos bares, que ficam sempre lotados e dessa vez fui a todos e me divertir bastante”, afirmou o estudante e freqüentador do evento, Lucas Pereira. Além do conforto, essas maratonas ainda oferecem bebida liberada dentro dos ônibus que transportam os participantes. O passaporte para esse passeio gira em torno de 50 reais.

O evento se resulta na premiação dos melhores botecos que atendem com louvor aos quatro critérios desenvolvidos pelos organizadores: melhor tira-gosto; melhor atendimento; melhor higiene do local; e melhor temperatura da cerveja. O ganhador é premiado com troféu e reconhecido como melhor bar da cidade. Segundo o proprietário do “Peixe Frito Bar e Petisqueira”, localizado no bairro Santo Agostinho, Roberto Schons, o melhor prêmio é o retorno que o evento dá para o estabelecimento: “Não ganhamos nenhum valor em dinheiro, apenas o prato premiado, mas o aumento de clientes e o reconhecimento que temos diante deles é nossa maior vitória, independente se ganhamos ou não”, afirmou.

Para participar da votação, o cliente precisa pedir o tira-gosto concorrente, preencher uma cédula e depositá-la em uma urna nos próprios bares que estão competindo. Somente pode votar uma vez em cada boteco e, para ser validado, todas as perguntas devem estar preenchidas, sem rasuras ou emendas. Segundo o site oficial do evento, a avaliação é qualitativa e não quantitativa, portanto não depende do número de pessoas que votaram, mas sim da média aritmética dos votos válidos recebidos.

O evento teve início no dia 09 de abril e encerrou hoje, dia 09 de maio, e seu resultado é divulgado na festa “A Saideira”. Na ocasião, os vencedores recebem na hora, os troféus. Para participar do concurso, os estabelecimentos não precisam pagar nada, é grátis. Basta ser indicados pelos clientes através do site www.comidadibuteco.com.br.


Já que Minas não tem mar, vamos para o bar

Em 2009, foi sancionado pelo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, a lei que oficializa a cidade mineira como a capital mundial dos bares. O projeto de lei tem autoria do vereador Alberto Rodrigues (PV) que estabelece também, o Dia Municipal dos botecos, comemorado todo ano no terceiro sábado do mês de maio. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurante de Minas Gerais (Abrasel-MG), neste ano haverá uma comemoração diferenciada para celebrar esse novo título da cidade.

A Capital Mundial dos Bares possui milhares de botecos espalhados pelo centro da cidade, bairros e lugares totalmente imagináveis, como o “Freud Bar”. O estabelecimento tem um estilo diferente dos bares centrais. O cliente que for ao local, receberá uma garrafa com uma vela e um cobertor, devido a sua localização, a 2km de Belo Horizonte, sentido Nova Lima. Além dos adereços que ficam disponíveis por conseqüência do frio, outra coisa que chama atenção é a distribuição das mesas e cadeiras: para tomar uma cerveja gelada ou saborear os tira-gostos é preciso subir em uma árvore. Isso mesmo! As mesas são montadas em árvores.

Foto: http://www.freudbar.com


Botecar virou verbo em Belo Horizonte, e nada mais é do que a arte de sair, seja de casa ou do trabalho para tomar aquela cerveja gelada, degustar dos petiscos ou paquerar. Para os mineiros não tem divertimento melhor que botecar na companhia dos amigos. Para o estudante de gastronomia, Peterson Ferreira, o evento veio para agregar ainda mais a vontade de sair para conhecer lugares novos: “Na sexta-feira fico contando a hora de sair do serviço e encontrar a galera, e ainda aprendo mais sobre gastronomia, pois os pratos estão cada vez mais elaborados”, relata.

Os freqüentadores assíduos dos bairros da capital afirmam que para botecar não existe dia certo. “Todo dia é dia. Uma ‘geladinha’ sempre é bem-vinda”, afirma a estudante de jornalismo, Gabriela Rosa. Para Roberto Schons, o título de Capital Mundial dos Botecos é bom. “Temos que saber explorar essa marca para deixar os botecos sempre cheios”, conclui.


Jiló: o prato principal


Conhecida internacionalmente por seu sabor inconfundível, a culinária mineira é sempre um prato cheio em qualquer restaurante que queira oferecer o que Minas Gerais tem de melhor. Talvez, seja por que em cada parte do Estado há uma comida típica, com ingredientes especiais. Seus pratos e temperos são sempre um atrativo a mais, não só dentro da cozinha da avó, mas também em vários concursos culinários espalhados pelo país.

Um dos ingredientes típicos da culinária mineira é o jiló. Com seu sabor pouco comum, amargo, ele é adorado ou odiado. E já faz parte da cozinha de Minas, afinal quem nunca foi ao Mercado Central comer o famoso bife de fígado acebolado com jiló na chapa? Para a estudante de direito, Natalia Vieira, não há nada melhor que os tira-gostos servidos no local: “bife sem cebola e jiló não é bife, ainda mais se for degustado no mercado”, afirma.

Ao contrário do que muitos pensam, o jiló não é um legume. Alguns dizem que é um fruto, outros uma erva, mas o que importa mesmo é a sua contribuição que agrega valor aos pratos. Esse ano o evento “Comida di buteco” colocou como regra para os participantes a inclusão do jiló em seus cardápios. Como resultado, o que podemos observar é uma grande variedade e criatividade nos pratos servidos.

Dentre as novidades apresentadas no concurso, temos o Chã de jiló fatiado com purê de moranga, servido no Bar do Zezé; Já no tradicional Café Palhares, o prato elaborado para o evento é a Língua ao molho com purê de ervilha e bacon, acompanha fatias de pão francês e pão de jiló. O Filé de pintado à dorê ao molho de manga e gengibre acompanhado de chips de jiló, é servido no Peixe Frito Bar e Petisqueira.

Foto: www.comidadibuteco.com.br

"Chã Jiló e Dona Moranga" - Bar do Zezé


Foto: www.comidadibuteco.com.br

"Prosa de Minas" - Café Palhares


Foto: www.comidadibuteco.com.br

"Doce Sabor Ardente" - Peixe Frito


Segundo Roberto Schons, esse ano a expectativa é grande. Ele concorreu outros anos mas ainda não ganhou. Com a novidade do prato, que está fazendo sucesso, ele espera conseguir o primeiro lugar no concurso dessa vez: “As pessoas estão elogiando muito, acho que agora acertamos a mão”, conclui.